domingo, 20 de setembro de 2009

São Nuno Álvares Pereira e a Crise Nacional

I
Já é Santo Nuno Álvares Pereira!
Foi guerreiro porque era patriota.
Para salvar a Pátria não se esgota,
A pensar, com engenho, na maneira

De impor ao inimigo uma derrota.
Domina gente vil e embusteira,
Pedindo a Deus, com fé que é verdadeira,
Que salve a Pátria, a Deus também devota.

Deus, então, lhe concede só vitórias!
E muita façanha é misteriosa!...
Não quer honras... Deixando a Deus as glórias.

Quer fazer a sua Pátria grandiosa:
Com brio vai lutar - dizem memórias -
E salva-a duma crise ruinosa.

II
Também estamos hoje numa crise,
Por haver quem governe à revelia:
Cada um aproveita a regalia
De amealhar pecúlios... que não diz...

Outros vão pelo mundo, em romaria,
Sem definirem bem a directriz...
"Negócios"... Que aparentam mau cariz...
Até que se descobre a vilania...

O povo cada vez mais desfalcado...
Iludido por quem é bem-falante,
E, só por bem falar, é perdoado!...

Ai, meu povo, és deveras tolerante,
Para quem te arruína e dá mau fado,
Sempre a olhar-te insensível, arrogante.

III
Atingiste alto grau de insensatez,
Ao dar votos a quem te dá pobreza.
Falta o amor à Pátria e a nobreza
De carácter, e falta a intrepidez

Dos Heróis, que, outrora, com lhaneza,
Devolveram à Pátria a honradez!
Cá temos malfeitores outra vez!...
E perseguem a gente camponeza;

A do mar; e cidades, por ganância!...
Este povo, já imerso na apatia,
Aceita, com incrível tolerância,

Vexames e feroz descortesia,
Impassível a toda a manigância
De quem lhe impõe austera carestia!...

IV
O povo aceita os falsos altruístas,
Que são feras, depois, a dar dentadas...
Como ratos... lhe roem as mesadas!...
Ai, quem, de melhor sorte nos dá pistas?...

"Poupanças financeiras... esgotadas!..."
Andam, isto, a afirmar, especialistas...
Mas logo alguém lhes chama "alarmistas!...",
Temendo as suas manhas reveladas...

Meu Portugal, já não tens patriotas,
Iguais aos portugueses doutras eras:
Aceitamos, com ócio, as derrotas...

Mau Portugal, como é que assim toleras,
Quem te faz um País só de almas mortas,
A serem devoradas por tais feras?!...

Ana Losver

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

POLUIÇÃO do PLANETA - e Outros Males e Algumas das Suas Causas

I
Que progresso é este,sem travão?...
Os sábios mais atentos, conscientes,
Estudam seriamente os ambientes,
E chegam a terrível conclusão:

Mês dez, dois mil e sete: avisam, crentes,
A Humanidade sem ter exclusão:
-"Ou acabais com tanta poluição,
Ou, em breve, não há sobreviventes.

Os ares vão ficando irrespiráveis;
Os rios e o Mar envenenados
Pelos comportamentos, condenáveis,

De cada um querer, em triplicados,
Bons sistemas de vida, confortáveis.
Ambição que vos põe desatinados!..." -


II
Cá, em Portugal, é núlo este aviso:
A Governar não há quem o entenda,
Nem querem, aos seus erros, dar emenda:
Teimam ir para a frente, sem juizo.

Isto, que vos afirmo, não é lenda:
Há no Porto um exemplo bem preciso:
Mudanças que fizeram de improviso,
Nos transportes directos, dão contenda,

Pois causam aos utentes empecilhos:
Não chegam ao trabalho à hora certa,
Nem a horas, na escola, estão os filhos.

Não tendo, já, a "linha" mais directa,
Aumentaram, de sobra, os sarilhos.
Dia a dia, a revolta, mais desperta.


III
Ser despejado a meio do caminho,
Em trasbordo... é cruel! Depois, à espera
De autocarro que falha e não se esmera
Em mostrar que dedica algum carinho

Ao povo, que só paga e desespera!
Isto põe-nos a vida em desalinho.
Mães embalando, ao colo, o seu filhinho,
Sentem a punição muito severa.

Trasbordo que só dá inseguranças...
Tiram "linhas" directas, preciosas,
Que não davam transtornos em mudanças.

Longas esperas são bem dolorosas.
E, a atmosfera com destemperanças,
Gera doenças, não só as nervosas,


IV
Mas outras, que dão lucro ao coveiro,
Agravando-se a gripe, ou resfriado...
O povo... cada vez mais revoltado
Com quem, a governar, é traiçoeiro.

Perdida a paciência... o apressado,
Que é, nos compromissos, cavalheiro,
Chama um taxi, que vai custar dinheiro:
Sobrecarga no povo desfalcado!...

O automóvel, há muito guardado,
Volta para a rua: é a solução.
Ih! Tantos!... Fica o trânsito parado!...

Pior... é aumentar a poluição!...
O governo não vê, que, o resultado,
Conduz a Humanidade à extinção?...


V
Não conteis que governos desalmados
Aceitem os avisos sapientes,
De quem prevê desastres eminentes,
Neste Planeta, há muito anunciados.

Governantes vaidosos, prepotentes,
Não ouvem os que são mais avisados...
Temendo ser por eles destronados
Mostram-se, nos seus erros, renitentes:

Não cedem, numa dura teimosia,
Que revela não terem hombridade...
Os transportes do Porto... - Quem diria?...-

São prova certa desta realidade:
Fazem leis, dando a poucos, alegria;
Maltratam quem atinge longa idade.


VI
Leis que mostram somente os desafectos
Pelo povo. Cruéis para os velhinhos:
Quer sejam casais ou vivam sozinhos,
Corações a pulsar, sempre repletos

De amarguras da vida... Cansadinhos...
Transportes com destinos bem directos
Iam levá-los sempre a locais certos.
E, na Foz, como alegres passarinhos,

Se expandiam bem longe da gaiola:
Passear na Avenida; ver o Mar;
Encontrar os amigos... mais consola.

Agora, sem "directos"... e a mancar...
Bem tristes... Cada um, no lar se esola...
À espara de que a morte os vá buscar...


VII
Governantes não choram estas mortes:
É um modo de eutanásia bem legal;
Ardil, para poupanças... ideal.
Ditam, assim, ao povo, tão más sortes,

Com leis vis, que desonram Portugal.
Absurda alteração que há nos transportes,
Às poupanças do povo leva cortes:
Cada hora de espera... Quanto vale?...

E têm de sair muito mais cedo;
Acordar as crianças ao ser dia,
Sem elas entenderem o enredo

De tanto sacrifício e arrelia.
Os transportes, agora, causam medo.
Nos seus horários já ninguém confia...


VIII
Isto só favorece os fabricantes
De automóveis, a ter grande vazão,
Para dar, aos utentes, solução...
Não há, para tal erro, atenuantes.

Dizerem que é poupança... é uma ilusão.
Aumentaram despesas, mais que antes.
Não pode, assim, o povo e governantes,
Dar às finanças boa afinação.

-"Cofres que são do povo estão vazios!"-
São gritos de banqueiros a avisar...
A lançar ao governo desafios,

Para haver produção... a trabalhar.
O governo, ao aviso, dá desvios:
Põe o trabalhador a descansar:


IX
Descansai...Descansai lá nas paragens...
Porque eu também descanso, aonde estou...
Cada um, com seu voto, me lançou
Neste trono, que eu tinha nas miragens...

Agora, pelos votos, eu vos dou,
(Sem vos pedir, em troca, outras vantagens)
O descanso a meio das viagens,
Pois muito prometi... Tudo falhou!...

E mais há-de falhar, pois não me ralo
A mandar que aumenteis a produção,
Para dar, aos banqueiros, um regalo;

Nem quero ouvir quem anda em aflição,
A prever, para o Mundo, grande abalo,
Se não pusermos fim à poluição.


X
Sendo eu governante, podeis crer,
Não temo as previsões de mau agouro:
Exigem para os cofres rimas de ouro,
Não querem o País a empobrecer.

Nem o povo quer baixas no Tesouro.
Outros, a poluição querem deter!...
Vêem a Humanidade a perecer...
Rodeia-me, a zumbir, tanto besouro!...

Não temo o seu ferrão envenenado...
Mostro sempre o meu ar mais sorridente.
Se tudo está, à morte, condenado,

Que importa tanto carro poluente?...
Se for todo o SER VIVO destroçado...
Basta que seja EU sobrevivente!...

Ana Losver

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Fuga das Musas


Examino o retrato... Quem parece?
Não sei bem... Um roberto, certamente...
Um roberto, vestido como gente,
A fingir de escritor... E que parece

Ter saudades de Musa muito ausente...
Reparo no sorriso que esmorece...
Naquele ar indeciso transparece
Um pesar de quem tem vazia a mente...

Não sabe se há de rir se há de chorar...
Sorri, para impedir, sem dar por isso,
Que seu pranto o papel vá encharcar;

E no papel molhado, outro enguiço
Esborrate o sentir que lhe rolar
Dum recanto da mente, por feitiço...

Porto, 26 – 3 – 2002

Partiu para o além...


PARTIU PARA O ALÉM…

Há muito que partiu para o Além…
Aquele que me deu felicidade,
Num mundo aonde falha a lealdade
E aonde o amor falha também.

A Morte, desuniu-nos, sem piedade,
Parece que por mim tinha desdém,
Pois levou-mo, sem dó, como refém…
Deixando-me a sofrer com a saudade.

Busco algo, na Fé, que me conforte:
E a Fé, que tenho em Deus, logo me diz:
Se eram, as virtudes, o seu forte,

Só pode ter o Céu por directriz;
E Deus, para o buscar, mandou a Morte,
Por quere-lo num Mundo mais feliz.

Porto, 2 – 9 – 1992

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A uma amiga

Boa amiga Clarisse, finalmente,
Lhe venho dar notícias e dizer
Que, ler os seus escritos é um prazer.
Estranha o meu silêncio, certamente...

Não leve a mal, se tardo em responder:
Eu, só uso a internet, raramente.
É estranho, mas sou mesmo renitente
Em fazer um esforço... a aprender...

Já passou o Natal. E, só agora,.
Lhe manifesto os votos (e são tantos!...)
Para Deus a alegrar em cada hora,

E tenha um Novo Ano só de encantos.
Porque o dois mil e nove não demora,
Que transborde em virtudes só de santos

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Natal

Tem mistério, tem magia
Esta palavra Natal:
Poder espiritual
Do Amor e da Alegria.

Os sentimentos reais
Que esta palavra condensa,
Alivia indiferença
Entre os indignos mortais...

Sentem se então irmanados
E de corações unidos;
Quando, dos ódios despidos,
São por Deus abençoados.

O Natal do Deus Menino
Já se deu há dois mil anos!
Resiste sempre aos profanos
O sentimento Divino.

Somente um Deus Redentor,
Vindo à Terra, humanado,
Podia ter transformado
Paixões e ódio em Amor.

2001

Jesus

Vem, Jesus, vem comigo,
Que peregrino na Terra
Sem encontrar um amigo
Onde existem ódio e guerra.
Sendo o homem traiçoeiro,
Dele só nos vem a dor.
Sede Vós meu companheiro
Neste deserto de Amor...

Eu e a internet

I

Quem me fala, calado e escondido,
Dentro da Internet duvidosa?...
É alguém que me deixa receosa:
Não tem voz, nem há rosto definido…

Pode ser amizade preciosa,
A tornar este jogo divertido;
Mas pode ser, também, um foragido,
Buscando alguma cúmplice, engenhosa,

Que através da Internet lhe dê fuga…
Com anonimato é que eu desatino:
A minha mente hesita e se enruga,

Por não poder saber qual o destino
De pensamentos, que um ecrã me suga:
Se os dá a amigos meus, ou a cretino…

Um ninho de andorinha

Certo dia uma andorinha,
Constrói a sua cazinha,
Num lugar a seu contento:
É num moinho de vento,
Parado à noite e de dia,
Porque há muito não moía.
Não foi dentro do moinho
Que fizera o seu ninho.
Fê-lo, de certa maneira,
Numa das pás de madeira
Que formam a ventoinha.
Já rachada, já velhinha,
Apodrecendo, travada,
Porque já não era usada.
Ela fez os seus projectos,
Fez cálculos muito certos.
Juntou os materiais:
Muita lama e coisas mais.
Em farpas bem colocadas
Naquelas tábuas rachadas,
Arquitectou o seu ninho
Com formato redondinho,
E tinha só um postigo
Esse bem cuidado abrigo.
Um ninho muito engraçado,
Nem lhe faltava o telhado.
Ajudou-a o seu parceiro.
Um casal verdadeiro.

Começou a pôr ovinhos
E nasceram os filhinhos.

II
Dois meninos vão da escola,
Com os livros e uma bola,
Naquele sítio a passar:
Ouviram piar, piar...
Parecia chamamento
A pedir mais alimento.
Descobrindo os passaritos
Começaram logo aos gritos:
--- Olha um ninho! Olha este ninho!
Qual será o passarinho?



--- Andorinha; é o mais certo...
Mas vamos ver lá de perto.
É só destravar as velas,
Logo o ninho desce nelas.
Destravadas, num momento,
Ficam à mercê do vento
Que logo as põe a rodar,
Trazendo o ninho a baixar.
Lá no ninho, os passarinhos,
Ficam tão assustadinhos
Que piavam sempre mais
A chamarem pelos pais.
Estes cuidavam da vida,
Indo buscar-lhes comida.
Um espreitou à janela.
De repente caiu dela,
E, no chão, entre o relvado,
Chorava muito assustado:
--- Piu, piu, piu...Eu vou morrer...---
Os meninos, a correr,
Logo o tomaram nas mãos,
Para o levar aos irmãos.
Com afagos e carinho
Lá o puseram no ninho.
Era um sentir verdadeiro;
Assim, do seu merendeiro,
Tiram migalhas docinhas
Para dar às andorinhas.
Com tanto zelo por elas
Travaram melhor as velas.

Esposende, 1999

O Rouxinol

Trovador de canções belas,
Quem me dera assim cantar
O segredo das estrelas,
O mistério do luar.

Há na alma portuguesa
Cantigas em turbilhão,
Quando canta também reza;
Está sempre em oração.

Canta as serras e os vinhais,
Os pomares cheios de cor;
Canta o mar e os trigais
E as campinas sempre em flor.

Canta o firmamento azul
E encantos do nevoeiro
Como farrapos de tule
Perdidos pelo outeiro.

Meu rouxinol cantador,
Escondido entre os silvado,
Os teus trinados de amor
Dão ternura ao povoado.

Canta, canta, ó rouxinol,
Tuas doces melodias
À tardinha ao pôr do sol,
Ao toque de Avé - Marias.

Ó trovador sem rival,
Cantasse eu na tua vez...
Fazer trovas é sinal
De ser mesmo português.

Mas portuguesa sou eu
Porque tento versejar,
A inspiração vem do céu,
Vem das flores e vem do mar.