sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
O Galo de Barcelos
Não conheço Barcelos, mas o Galo,
Esse é famoso, além de Portugal.
Com ele vai Barcelos, jovial,
Buscar a mesma fama! Que regalo!...
Sendo embora de barro, o animal,
Alguém teve a ideia de inventá-lo,
E, com mãos de escultor, pôs-se a moldá-lo
Até lhe dar a forma bem real.
Alguém que tinha um galo que estimava,
Talvez por ser dos mais belos tenores.
Quando o galo se foi... ela chorava...
Lembrou-se então moldá-lo com fervores.
Não pode dar-lhe a voz, que a encantava!
Dá-lhe vida na cor: profusas cores!...
II
E o galo colorido, assim berrante,
Levado por turista prazenteiro,
Lá se liberta, assim, do seu poleiro,
E vai, a correr mundo, como errente...
Barcelos, manda o galo, mensageiro,
E fica no seu berço, confiante,
De que vai receber muito emigrante,
Da sua terra, ou mesmo forasteiro,
Para lavar mais "Galos de Barcelos",
Que hão-de fazer mesmo romaria!
Os seus galos não cantam, mas são belos!
Na casa do emigrante, - que alegria! -
Ter um galo, de traços tão singelos,
Português, a fazer-lhe companhia!...
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
dar sentido, livremente, a palavras à-toa… II
Mote:
Fantasma, Sol, loucura, telemóvel, afecto, amizade, orvalho, tu, amizade, justiça, Natal, amizade, saudade, saudade, saudade, por do sol, sinceridade, amor, sinceridade, Serpa, água, recordação, sol, amizade, crepúsculo, esperança, mãe, tenho pressa, cheguei lá, coucher du soleil, amor, nascer, lágrima, consciência, lar, Porto, coração.
Com sinceridade, faço-lhe justiça, concordando que, mesmo no crepúsculo da vida, não tenho pressa de chegar lá, aonde estão os que já partiram…Em consciência, prefiro sentir na alma o orvalho gelado da saudade…
Au coucher du soleil, o telemóvel, na carteira, ao meu lado, gritou-me que, se a água do lago dormia, eu não podia adormecer ali, a perder a esperança, como perdi afectos e sonhos. Era a Esperança Serpa, do Porto, cidade que sempre me encantou, a convidar-me, com amizade, para ir passar o Natal com ela. Deixar a solidão do meu lar, em Serpa, e abalar para o Poro, deu-me nova esperança. Assim animada, tenho pressa de chegar lá, e contemplar a descomunal árvore de Natal, erguida na Praça, em frente à Câmara. Além de outros símbolos, esta árvore significa, também, que os tripeiros não se atemorizam com o fantasma da crise económica, nem com o crepúsculo triste do futuro… É gente que sabe resistir, sem lágrimas, a tanto por do sol nas suas vidas, e nunca perde a esperança, nem a fé em Deus. Sem loucura, em consciência, e com justiça, como prémio do seu esforço e amor ao trabalho, sabe aproveitar todas as oportunidades para gozar a vida, o melhor que pode, onde pressentir a presença da alegria. Este ano, é a árvore gigante de Natal, que o deslumbra, apesar da saudade, tanta saudade do humilde Presépio, donde lhes sorria o Menino Deus, num sorriso de Amor divino, que fazia nascer nas almas uma alegria mais luminosa e mais salutar, que todas as falsas iluminações de ruas e de árvores de Natal, que cegam os olhos e deixam a alma com a tristeza do crepúsculo, a entrar na noite…Sim, apesar de todos os revezes, de tantas recordações boas e más, e tanta saudade, no tripeiro está sempre a nascer-lhe a esperança!...dar sentido, livremente, a palavras à-toa… I
Mote:
fantasma, Sol, loucura, telemóvel, afecto, amizade, orvalho, tu, amizade, justiça, Natal, amizade, saudade, amizade, saudade, pôr-do-sol, sinceridade, amor, sinceridade, serpa, água, recordação, Sol, amizade, crepúsculo, esperança, mãe, tenho pressa, cheguei lá, coucher du soleil, amor, nascer, lágrima, consciência, lar, porto, coração
I
O meu fantasma és tu, recordação
Do nascer da amizade. Essa amizade
Que é amor, mas, se acaba…ai, é saudade.
Só afecto de mãe tem duração.
Em consciência, dá inquietação
À alma; e tremura ao coração
Com o orvalho frio da saudade…
─ Eu vou do Porto a Serpa. Tenho pressa. ─
Informou a Saudade, no Natal:
Nos olhos tinha a lágrima, que expressa
O crepúsculo dum amor letal:
O rude telemóvel, a arremessa
Na loucura de haver uma rival...
II
─ Au coucher du soleil, eu cheguei lá,
Ao lar familiar, onde há saudade.
Mas, quem me chamou Sol, com amizade,
E me jurou amor, aonde está?... ─
Sem esperança, conta-me, a Saudade,
Que o seu afecto não mais morrerá,
Mas que o seu amor, ai, não voltará,
Porque nele não há sinceridade…
Gotas de água rolavam dos seus olhos
Como orvalho a cair ao pôr do sol.
Mas, a justiça logo arreda abrolhos:
De esconderijo sai, como arrebol,
O amor, que fingiu só dar-lhe escolhos,
Para fazer voltar, veloz… o Sol...
O Silvestrinho
I
A minha filha tem um lindo gato.
E gordo. Que se chama Silvestrinho.
Não fui eu a madrinha do bichinho:
Nome de gente em bicho eu rebato.
Este nome, a exprimir tanto carinho,
Num bicho: boi, ovelha, cão ou pato,
Causa na minha mente desacato...
Só deve pertencer a nenenzinho...
Além disso é um nome tão comprido!
Pronunciá-lo, é mesmo cansativo.
Se o chamo por nome reduzido,
Para refeição ou aperitivo,
Dá sinal de que não fica ofendido,
Ao chamamento não se mostra esquivo.
II
Assim, mostra que tem grande esperteza.
É habil; temos disso a demonstração:
Dos ruídos já faz a atenção:
Se é da porta dum quarto, com destreza
Dá um salto com muita precisão,
E esconde-se, como em fortaleza,
Bem debaixo da cama, com a certeza
De que isso lhe vai render ração...
Rende: pois ouve o saco da comida,
Abanado e a fazer alto ruído:
Surge à porta do quarto, e em corrida,
Vai para o comedouro, atraído
Por iguaria, extra, concedida
Pela esperteza... E não será traído...
III
Se faz ruído, a porta do terraço,
A rapidez é tanta que atrapalha!
De entre os meus pés dá salto, que não falha,
Lá para fora, num desembaraço!
Se a porta da despensa, às vezes calha,
De estar aberta só um leve traço,
Ele a abre com artes de palhaço,
E faz rir! Mas depois... Que Deus nos valha:
Se o saco da comida pesa pouco,
Trá-lo na boca pois é um glutão;
Se o deixa cair, parece louco,
A fugir... e a comida lá no chão...
E mesmo que o chame, faz-se mouco...
Para não vir comer ali o grão...
IV
Temos nós de apanhar ou de varrer
Tanto grão que ele deixou lá espalhado.
Outras vezes é bem mais descarado,
Mesmo dentro do saco ele comer.
Assim engorda... Está talvez pesado...
Minha filha, essa gula quer deter;
“O Silvestrinho pode adoecer;
O coração lhe fica molestado...”
A meu ver, só os extras são demais...
À hora de comer... que desventura:
Mimos da minha filha, acha-os banais.
Como eu lhe dou ração com mais fartura
Vê em mim a ração e nada mais:
À hora de lha dar... a mim procura.
V
Respeita-me, pois tem educação.
Do meu quarto dou-lhe ordens de saída;
Então, logo se vai numa corrida.
Nos outros quartos faz embirração...
Esconde-se e deixa-me aturdida,
A procurá-lo. E ele sem reacção.
Pêlo seu, no meu quarto, é aflição,
Pois receio ficar demais tolhida,
Se me causa alergia na garganta.
"Para trás!" Eu lhe ordeno ao vê-lo entrar;
Ele desanda, e vai... Até me espanta!
Do outro lado espera, pertinaz,
Atravessado onde eu irei passar.
Até nisto se mostra muito audaz.
VI
Tem o faro apurado: de repente,
Salta, e lá vai por-se à porta da rua.
Estranho... E o silêncio continua...
Para mim não há nada diferente...
Mas houve para o gato. Sorte sua!
Chegou a minha filha. Ele a pressente!
Um faro assim, jamais será de gente.
Onde houver Pão-de-Ló, ele não recua,
Nem à força, pois quer a guloseima.
Zangado, salta à mesa num instante,
A mostrar que persiste a sua teima.
Fora isto, o seu porte é elegante.
No andar se maneia sem ter freima;
O rabo sempre ao alto e ondulante.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Terão graça os meus escritos?...
Estranho, mas eu crei na amizade,
Em que não faltará sinceridade.
Por isso, a dizer-vos eu me atrevo,
Que, fazer rir alguém, é, na verdade,
Para a minha alma , sempre , um grande enlevo:
Ao humorismo eu tento dar relevo,
Nesta era cruel de adversidade,
Que deixa a dor nas almas sempre acesa...
Eu sinto-me feliz por fazer rir.
Se consigo, é mesmo uma proeza!
Peço a Deus que me ajude a prosseguir,
Com ciladas que assustem a tristeza,
E eu ria, também, vendo-a fugir...
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Encontrar e perder... Encontrar e perder...
"Em todas as ruas te perco"...
...."Sonhei tanto a tua figura..."
"Em todas as ruas te encontro,
"Em todas as ruas te perco"...
Cesariny
Encontrar e perder... Encontrar e perder...
Deve ser de certeza uma aflição,
Encontrar nos seus sonhos a figura
desejada, com bela estrutura,
E logo encher com ela o coração;
Ter na rua, depois, grande ventura,
Num encontro real. Oh! Sedução!
Mas logo ali, na rua, a aparição
Se perde... E fica ele na tortura
De sonhar sempre mais, e encontrar,
Nos caminhos e ruas onde passa,
A figura querida, para amar;
Mas ela em cada rua faz pirraça;
Mostra-se, e logo foge, a arreliar...
E a rir de ver quanto o embaraça!...
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
I
Coitadinho do i : é um risquinho.
E no cimo está uma pintinha,
Apenas a fingir de cabecinha,
Mas tem-na separada… Coitadinho!
Criar o i acéfalo… convinha,
A quem?... Digam, pois eu não adivinho…
O seu inventor não lhe deu carinho;
A crueldade nele se detinha…
Vejamos como o i, decapitado,
Consegue o pensamento definir
E revelar-se nada atordoado…
É bem claro no ir, no vir, no rir!
E também não se mostra irritado,
Por jamais do irritar poder fugir…
II
Quantos humanos, tendo o corpo unido,
À cabeça, não têm percepção,
Não conseguem achar definição
Para o que já está bem esclarecido…
Andam às voltas, numa agitação!...
Fingindo que procuram o sentido,
Dum tema… que desejam escondido,
Para não lhes trazer complicação…
Eis como funciona o ser humano,
Quando quer libertar-se de problemas…
Mesmo acéfalo, vê-de o i ufano
Por jamais fraquejar nos seus dilemas…
Só os humanos causam grande dano
Inventando em defesa, vis esquemas…segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Para "Ninguém"
a Ninguém se queixou de que está só!...
sozinha aqui no blog. Mas, se é Ninguém
não é nada. E assim, corpo não tem.
Ninguém que se diverte a pedir dó...
Ninguém que tem de ser mesmo alguém
a usar um blog, que é de muita avó
e muito avô; mas vão ao pão-de-ló,
que há no bar, e sabe sempre bem.
esta Ninguém... alguém tem de ser;
em fantasmas é que eu não acredito.
Ninguém será alguém que eu hei-de ver.
Ninguém , só!... se tem medo de um grito,
Alguém de si se vai compadecer
E manda-lhe socorro por escrito.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Como Eu Sinto a Pintura
Cada tela dos clássicos é um poema.
Se eu os quero imitar, tenho o dilema
Dum grande desacerto na mistura
De tintas, numa tela sem esquema.
Espalhar tinta, à sorte, é uma aventura:
Dá prazer ver formar-se uma figura:
Desconhecida... Bela?... Feia?... Enferma?...
O que eu pinto é cheio de mazelas...
Mas tento, sempre, dar cura aos medonhos:
Opero-os, com umas raspadelas...
Injecto cor alegre nos tristonhos,
Para dar vibração às minhas telas;
Mas fico sempre aquém... dos meus sonhos...
Eu e a Internet
Dentro da Internet duvidosa?...
É alguém que me deixa receosa:
Não tem nome nem rosto definido...
Pode ser amizade preciosa,
A tornar este jogo divertido;
Mas pode ser, também, um foragido,
Buscando alguma cúmplice, engenhosa,
Que, no anonimato, lhe dê fuga...
Quando vou à Internet, eu desatino:
A minha mente hesita e se enruga.
Por não poder saber qual é o destino
De pensamentos, que um ecrã me suga:
Se os dá a amigos meus, ou a cretino...